segunda-feira, 14 de março de 2016

Mais de 800 jovens empreendedores juntam-se em Lisboa em Abril

 

Quinta edição da Go Youth Conference decorre entre 30 de abril e 1 de maio e trará a Portugal empreendedores internacionais como Adam Cheyer, fundador da Siri (vendida à Apple), ou Thor Fridriksson, fundador do Quizup, um dos jogos mais populares da AppStore)

 

Realiza-se pelo quinto ano consecutivo e tem o propósito de juntar jovens empreendedores que “podem trocar ideias e ouvir alguns dos mais bem-sucedidos empreendedores internacionais, assim como aprender com alguns casos de referência portugueses”, revela a organização em comunicado.
Tiago Vidal, 21 anos, é um deles. É ele quem está a organizar mais uma edição da GO Youth Conference, iniciativa sobre empreendedorismo jovem que lançou quando tinha apenas 17 anos e ainda estava no ensino secundário.

Para esta edição, que decorre no fim-de-semana de 30 de abril e 1 de maio, estão já confirmados os repetentes Adam Cheyer, fundador da Siri (vendida à Apple), David Noel, da Soundcloud, e Kelsey Falter, co-fundadora e CEO da Poptip, empresa entretanto adquirida pela Palantir. Entre as estreias, contam-se “Thor Fridriksson (fundador e CEO do Quizup, um dos jogos mais populares da AppStore), Ryan Ozonian (co-fundador com Mark Cuban, da start-up Cyberdust), como Roland Grenke (co-fundador da Dubsmash) e Bastian Knutzen (co-fundador da Movinga), dois europeus que conseguiram das maiores rondas de investimento do ano passado, Bastian Lehmann (fundador e CEO da Postmates, uma das startups de maior destaque hoje em dia em Silicon Valley, após levantar mais de 80 milhões de dólares) e Rohan Silva, fundador e CEO da Second Home, que já anunciou que irá abrir operações em Portugal”, refere o comunicado.

Do lado de quem investe, já estão confirmadas as presenças de Martin Mignot, (Index Associates), Sheel Tyle (New Enterprise Associates), Hussein Kanji (Hoxton Ventures) e James Wise (Balderton Capital.

Recorde-se que a primeira edição da Go Youth, em 2012, contou com 100 participantes e 15 oradores. “Depois demos um salto e começámos a convidar oradores internacionais, pegando nos melhores exemplos de jovens no mundo que tenham criado empresas com sucesso. Conseguimos trazer as pessoas mais jovens no mundo que já levantaram capital de risco. E outros que com 20 e poucos anos levantam 15 milhões a 20 milhões de euros por cada ronda de investimentos que têm”, conta Tiago Vidal.

Há dois anos, a segunda edição da GO Youth Conference, que foi destacada como um dos melhores eventos para startups (empresas em fase de arranque) na Europa pelo site de tecnologia TechCrunch, contou com 16 oradores e a participação de mais de 400 pessoas. No ano passado, o cofundador da Siri (vendida à Apple por mais de 200 milhões de dólares) foi uma das presenças mais mediáticas. No ano passado, em abril, a conferência contou com 25 oradores e acolheu 600 empreendedores e investidores na Lx Factory, em Lisboa, durante dois dias. No evento participaram empresários portugueses como Miguel Pina Martins (Science4You), Miguel Santo Amaro (Uniplaces), Filipa Neto (Chic by Choice) e António Murta (Pathena).

Esta quinta edição da GO Youth Conference juntará empresas de sectores mais tradicionais como o têxtil e o calçado e deverá reunir entre 800 e 900 pessoas na Lx Factory.

Além da conferência, haverá sessões de ‘1 para 1’ (pitch the master) entre participantes e oradores, bem como uma feira (“Portugal Showcase”) onde startups portuguesas mostrarão os seus produtos mais inovadores.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Portuguesa vence prémio europeu que distingue empreendedorismo no feminino

Susana Sargento foi uma das três vencedoras do Prémio Mulheres Inovadoras da União Europeia. A investigadora é uma das cofundadoras da Veniam.

Portuguesa é finalista do prémio europeu Mulheres Inovadoras 2016

O prémio atribuído à investigadora portuguesa é de 100 mil euros e a distinção é atribuída pela Comissão Europeia, que com isso pretende reconhecer ideias inovadoras no feminino.
Susana Sargento é docente do departamento de eletrónica, telecomunicações e informática (DETI), investigadora do Instituto de Telecomunicações da Universidade de Aveiro e é responsável pelo grupo de investigação Arquiteturas e Protocolos de Redes.
Para além disso é uma das fundadoras da Veniam, onde assume funções como vice-presidente para a área de engenharia. A startup portuguesa tem vindo a desenvolver uma rede veicular que já está a funcionar no Porto e a dar os primeiros passos na internacionalização, para tirar partido de parques urbanos de veículos e através deles expandir a cobertura de redes Wi-Fi.
Susana Sargento, uma das nove finalistas do prémio, é doutorada em engenharia eletrotécnica e já foi docente do departamento de Ciências de Computadores na Universidade do Porto e professora convidada na Universidade de Carnegie Mellon.
A edição de 2016 do prémio é a terceira. A distinção já tinha sido atribuída em 2011 e em 2014.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Startup Portugal: Conheça as 15 medidas para apoiar o empreendedorismo

Startup Portugal: Conheça as 15 medidas para apoiar o empreendedorismo

Uma das prioridades do Governo de António Costa é apoiar start-ups. Por isso, lançou esta terça-feira o Startup Portugal, a estratégia para impulsionar o empreendedorismo. Conheça as 15 medidas que integram esta estratégia.


O Startup Portugal é a estratégia do Governo de António Costa para fomentar e apoiar o empreendedorismo. São 15 medidas. Algumas estavam já no programa de Governo, outras foram reveladas apenas esta semana. Saiba quais são.

Financiamento
Promoção do "equity crowdfunding" e do peer-to-peer
O Governo quer promover a utilização destes dois meios de financiamento de start-ups. No "equity crowdfunding" é possível investir um montante a troco de uma participação na empresa. Há várias plataformas na Europa, sendo que uma das mais conhecidas em Portugal é a luso-britânica Seedrs.

No caso do "peer-to-peer" os cidadãos podem emprestar dinheiro a indivíduos ou empresas de forma online. Duas das plataformas mais conhecidas desta modalidade são a "Lending Club" e a "Prosper".

Fundo de co-investimento (matching fund, na expressão inglesa) para "business angels"
O ministro da Economia já tinha revelado que iam existir linhas de apoio para "business angels" que atingiriam os 60 milhões de euros. Sabe-se agora que são linhas de co-investimento e os formulários para que estes investidores possam candidatar-se devem ficar disponíveis dentro de algumas semanas.

Fundo de co-investimento (matching fund) para capitais de risco

Tal como no caso dos "business angels", Caldeira Cabral já tinha anunciado linhas de apoio a fundos de capital de risco. Neste caso, vão ficar disponíveis 400 milhões de euros e os formulários também deverão ser libertados em breve.

O objectivo será, sobretudo, atrair fundos internacionais com conhecimento especializado nas áreas de investimento. Os principais critérios para os fundos poderem beneficiar deste co-investimento estarão mesmo relacionados com o sector em que pretendem actuar e com o "track record", ou seja o histórico de investimentos nessa área. A Portugal Ventures e a PME Investimento serão as instituições encarregadas de seleccionar os fundos que podem ser elegíveis.

Call For Entrepreneurship da Portugal Ventures

A sociedade pública de capital de risco vai manter os seus programas de apoio a start-ups, chamados de "Call For Entrepreneurship". Porém, e dada a criação dos instrumentos de apoio anteriores, este organismo deverá passar a ter critérios um pouco mais rigoroso na hora do investimento e actuar em áreas que os privados não vão chegar. As fases muito iniciais, conhecidas por "early stage", podem ser um desses campos, bem como, as áreas consideradas como muito inovadoras (cutting edge).

Programa Semente
O Programa Semente é uma medida que estava já incluída no programa de Governo. Visa dar benefícios fiscais às pessoas que investem em start-ups numa fase inicial. Não deverá entrar em vigor este ano.

Aceleração de start-ups
Rede Nacional de Incubadoras
 O Governo quer lançar uma rede nacional de incubadoras. O objectivo passa por organizar este tipo de entidades e promover, se isso se justificar, a partilha de recursos.

Rede nacional de Fab Labs
O Executivo pretende também criar uma rede nacional de Fab Labs.

Aceleradora de referência europeia
O Governo de António Costa pretende criar uma aceleradora portuguesa de referência europeia. No fundo, esta aceleradora pode promover no estrangeiro as aceleradoras nacionais e captar start-ups ou projectos internacionais para serem acelerados nas estruturas portuguesas existentes. Não se trata assim de criar uma nova estrutura física. É a criação de uma marca que "fala a uma só voz" quando vai ao estrangeiro promover estes organismos. As start-ups/projectos que se candidatem terão de realizar um programa de aceleração em Portugal.

Apoio aos empreendedores
Programa Momentum
À semelhança do que acontece com a iniciativa da Startup Lisboa, esta medida visa permitir a um licenciado, que tenha beneficiado de uma bolsa de acção social, criar a sua empresa. Para isso, é-lhe facilitada residência, espaço de incubação e uma verba mensal para fazer face às despesas pessoais. Vai ser articulado com a rede nacional de incubadoras e com as universidades.

Vales de incubação e aceleração
Os destinatários são as empresas que podem candidatar-se a uma incubadora e custear a sua presença. Vão, porém, ser estabelecidos limites nas incubadoras.

Startup voucher
Destina-se a jovens universitários que estejam a terminar os cursos, ou já licenciados, e visa que estes tenham uma verba mensal, durante alguns meses, para que possam desenvolver o seu projecto.

Promoção e regulação
Zona franca tecnológica
Criação de legislação e regulamentação que atraia sectores inovadores. O Governo espera atrair sectores inovadores, refere João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria, "na sua fase mais embrionária, quando estão a ser desenvolvidos e antes de serem projectos empresariais". Assim, quando estes se tornarem numa empresa, possam ficar em Portugal.

Programa Simplex

No âmbito do programa Simplex, que visa modernizar a administração pública, o Governo quer incluir medidas que alterem a forma como as empresas são encerradas. A medida não deverá entrar de imediato em vigor.

Potenciar o Web Summit

O Governo quer potenciar a presença do evento em Lisboa. Para isso, vão ser apresentadas várias iniciativas para que o evento não se resuma aos três dias em que decorre. A edição deste ano tem lugar entre 8 e 10 de Novembro e é primeiro das três que vão ter lugar na capital portuguesa.

Promover presença das start-ups portuguesas nos maiores eventos tecnológicos do mundo

O Governo, no âmbito do programa Startup Portugal, quer garantir a presença das start-ups portuguesas nos grandes eventos tecnológicos nacionais. As empresas portuguesas já são uma presença assídua presença nestes eventos, mas não existe uma organização. Cada uma vai individualmente.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Empreendedorismo dos pequenos produtores ajuda a relançar o interior

 

Quem o diz é o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que defendeu este sábado que a diferenciação dos pequenos produtores pode ajudar a valorizar e a relançar o interior do país.


O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, defendeu hoje que os pequenos produtores devem apostar na valorização e diferenciação dos seus produtos e podem ajudar a relançar as regiões do interior.

“É muito através destes pequenos produtores que o interior se pode relançar”, salientou o ministro durante uma visita ao Mercado Gourmet, que decorre no Campo Pequeno, em Lisboa, até domingo.

O governante elogiou “as pessoas que têm pequenas produções e que, em vez de se resignarem porque não vendem em quantidade” preferem apostar na valorização, com produtos diferenciados, ‘gourmet’ ou com denominação de origem.

O Mercado Gourmet expõe a oferta de 145 pequenos produtores de todo o país e que vai dos queijos e enchidos, aos doces e azeite, passando pelo vinho.

“É muito interessante esta dinâmica de empreendedorismo que está a acontecer”, comentou Manuel Caldeira Cabral, salientando que o empreendedorismo passa, não só pelo conhecimento mais tecnológico, como pelo conhecimento que acompanha as novas tendências sociais e a gastronomia, e pela recriação dos produtos tradicionais que podem ser apresentados numa nova forma, criando mais valor.

Adiantou ainda que o Governo quer apoiar esta dinâmica melhorando o acesso ao crédito, dando como exemplo as linhas de financiamento bonificadas “que vão ter um impacto grande especialmente nestas pequenas empresas”, permitindo fazer investimentos com menor risco.

As linhas de crédito devem ficar disponíveis para as empresas já nas próximas semanas e terão um montante máximo de 1500 milhões de euros, com juros diferenciados.

Manuel Caldeira Cabral afirmou-se também empenhado em simplificar o reporte das empresas, aliviar o “esforço” que as empresas têm de fazer para cumprir as suas obrigações fiscais e resolver os problemas na certificação de produtos.

“O Simplex vai ajudar todas as empresas, mas isso será especialmente sentido pelas empresas pequenas, que são as que mais sofrem com os encargos burocráticos”, reforçou.

 

sábado, 5 de março de 2016

4 passos para começar um negócio hoje

 

Assim como dar palestras, escrever e tantas outras coisas no mundo, empreender é uma reação. Entenda por quê

Acho que a questão a seguir deve ser uma das perguntas que mais recebo – “Bru, eu amo empreender, e queria começar um negócio hoje. O que você faria se fosse eu?”. Normalmente, nesses casos, explico diversos passos para se conseguir ter uma boa ideia. Tenho até tem um e-book sobre isso, mas resolvi pensar mais praticamente ainda na questão e fazer um artigo rápido e simples.

Em primeiro lugar, é péssimo você começar um negócio simplesmente porque quer começar um negócio. Assim como dar palestras, escrever e tantas outras coisas no mundo, empreender é uma reação...

Reação?


Exatamente, você percebe um problema e começa a querer entendê-lo mais, ver o que existe, o que já foi testado e começa naturalmente a ter alguns insights... Porém, para te ajudar, o que eu faria?

Ache um problema significativo

As pessoas te pagam para resolver problemas, essa é a real. Então, comece por achar algo que realmente incomoda as pessoas, o maior número de gente possível. Mas não cometa o gritante erro da maioria de apenas pensar no problema e pronto. Você precisa ir atrás, conferir se ele existe mesmo ou não, se afeta tanto ou não. É fundamental ir até onde isso acontece e investigar.
Combine com o seu talento

Eu sou um dos grandes defensores de fazer o que se ama, mas nem sempre o que se ama vira um grande negócio. Às vezes um hobby é apenas um hobby, e transformá-lo em um negócio pode fazê-lo virar um negócio ruim e ainda você pode perder uma atividade prazerosa. É legal perceber no que você é bom e no que as pessoas te pedem ajuda, para você poder combinar com esse problema.

Ah, mas eu não consigo...

Olha, sempre tem um jeito de combinar e se parece difícil, possivelmente será ainda mais inovador quando você descobrir algo.


Pesquise e seja diferente

Esta é a era da inovação. Para você competir por qualidade, velocidade e outras coisas, precisaria de grandes recursos, o que imagino não ser o caso no momento. A melhor coisa é ver se essa sua combinação já existe, para depois transformar a sua proposta em algo único.

Você pode ter que quebrar mais a cabeça agora, mas com certeza vai ser muito útil depois.

Faça um teste rápido com o mínimo de tecnologia

Apesar de a maioria das pessoas querer usar a internet e criar logos, sites e aplicativos, eu diria para você criar um teste rápido que use o mínimo possível de tecnologia, para que você descubra rápido se esse seu talento aplicado ao problema vai realmente ajudar as pessoas. Não se preocupe em construir algo fabuloso, se preocupe em desvendar se essa sua combinação faz sentido, se as pessoas achariam interessante, pagariam e se realmente resolveria seus problemas.

Você não tem noção de quantas startups maneiras eu conheço que começaram com os testes mais simples e banais possíveis.

Apenas usando essas 4 dicas, você consegue dar um ótimo primeiro passo para iniciar um negócio e ter mais chances do que a maioria, que normalmente começa de qualquer jeito e sem o mínimo de estrutura. Aqui a ideia é pelo menos orientar esses primeiros pensamentos e descobertas para ingressar no mundo do empreendedorismo.

quinta-feira, 3 de março de 2016


Presidente do Turismo de Portugal quer dedicar "muita atenção" ao Empreendedorismo


O presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, disse hoje que o Empreendedorismo é uma área a que o instituto quer dedicar muita atenção, uma novidade, por isso, no protocolo hoje assinado com a banca para apoiar o financiamento do setor.

 "Muitas das questões que foram levantadas pelas associações patronais representativas do setor foram aqui aceites (no protocolo hoje assinado), enquadradas. Acho que é o protocolo mais abrangente. Estamos a falar de um protocolo que não só abrange empreendimentos turísticos, estabelecimentos de restauração, empresas de serviços associadas ao setor, e mais importante é uma novidade - e ponto de honra para nós - é um protocolo que abrange projetos na área do Empreendedorismo", disse Luís Araújo, na assinatura do protocolo com a Associação Portuguesa de Bancos para a linha de financiamento de apoio ao investimento no setor. 

O Empreendedorismo é "uma área a que o Turismo de Portugal, e eu particularmente, queremos dedicar muita atenção", disse o responsável na BTL - Feira Internacional de Turismo, em Lisboa, acrescentando já ter comunicado esta intenção ao ministro da Economia e à secretária de Estado do Turismo.



quarta-feira, 2 de março de 2016

Em Óbidos fervilha o empreendedorismo

 

Na vila medieval há um espaço colaborativo para empreendedores, que, além de trabalharem juntos, partilham ideias e permutam ajuda para lançar negócios e projeto.

 

Trabalhar em grupo num único espaço, em que há tertúlias para fazer nascer e dar corpo a novos negócios? A ideia está a ser posta em prática, há cerca de dois anos, em Óbidos.
As raízes de Pedro Reis, 38 anos, o impulsionador e elemento agregador do projeto, à Região Oeste ditaram o 'acaso' de o Colab ter arrancado ali. Podia muito bem ter sido na Finlândia. Mas a "sorte", como refere Pedro Reis, ditou que o início deste espaço de partilha e de negócio fosse em Portugal, mais precisamente na vila medieval deÓbidos, paredes meias com as muralhas, num edifício cedido pela autarquia local.

O conceito de espaços colaborativos, onde diferentes profissionais trabalham em grupo e se entreajudam, já não é totalmente estranho em Portugal (há várias experiências espalhadas pelo país). Em Óbidos, o projeto Colab reúne 15 colaboradores residentes e conta com a ajuda de dezenas de elementos externos. Ao todo, em dois anos, "temos mais de 50 projetos e centenas de pessoas que encontraram no Colab uma forma de tornar as suas ideias realidade", diz Pedro Reis.
Mas o que se faz afinal no Colab e porque é que é diferente? "É um sistema que promove a partilha de processos, incentiva a propriedade coletiva de ideias e cria as condições para as pessoas aprenderem umas com as outras", explica Pedro Reis. "O objetivo é criar o ambiente certo para tornar ideias em realidade através do poder da colaboração. Estamos a meio caminho entre o co-work e a incubadora."

A ideia do projeto deu-se numa geografia longínqua, a Finlândia. Pedro Reis viveu no país, onde, aliás, conheceu a sua mulher, e aí fundou, com outras pessoas, um grupo de investigação chamado Silo, que se debruçava sobre as questões do futuro do trabalho.

Desse grupo surge o projeto-piloto Colab, em Óbidos, com o apoio do município, que lhes cedeu as instalações, um edifício que foi requalificado com apoios comunitários (através do QREN), numa obra que custou 300 mil euros. A este prédio, onde fica a sala ampla onde os colaboradores residentes trabalham em open space, soma-se uma constelação de outros edifícios, onde estão alojados negócios de empreendedores do Colab, denominado Espaço Ó.

A proposta de alojar o projeto naquele edifício camarário foi feita ao anterior executivo autárquico, então liderado por Telmo Faria. A reunião que deveria ter demorado 30 minutos estendeu-se por quatro horas. No fim, venceu a proposta que os fundadores do Colab levavam: "Um projeto que permitisse à comunidade explorar aquele espaço."

Dois anos depois, o balanço é positivo. "Criámos o projeto-piloto em Óbidos, com o apoio do município, onde testámos o conceito com a comunidade local. Agora temos mais de 50 projetos, de centenas de pessoas, que encontraram no Colab uma forma de tornar as suas ideias realidade."

Ali coexistem artesãos, arquitetos, designers (o caso de Pedro Reis, que tem formação na área do desporto mas foi como designer, autodidata, que trabalhou quase sempre), escritores, agricultores, fotógrafos, artistas plásticos, uma 'hoteleira', entre membros residentes e os empreendedores que participam, sobretudo, nas reuniões semanais, que, além de promoverem brainstormings, servem para fazer o ponto de situação dos projetos que estão em andamento. Ao todo, estão ligadas ao Colab à volta de duas centenas de pessoas, adianta Pedro Reis.

No Espaço Ó há uma livraria/café, uma padaria com forno a lenha, um ateliê de artes plásticas e uma loja com vários produtos dos 'empresários' do Colab, como um kit para construir um candeeiro, que beneficiou da ajuda do grupo com uma nova imagem e marca, ou as rendas de bilros transformadas em acessórios de moda, como brincos e pulseiras, feitos pelas mãos de uma artesã com 79 anos. Há quem opte por 'residir' no espaço do Colab, em regime de partilha de espaço, e para isso paga 70 euros por mês, com direito a ocupar uma qualquer área de trabalho de que necessite para desenvolver os seus projetos, acesso à Internet e chave do edifício para fazer os horários que entender. Ser membro do Espaço Ó esporádico custa 10 euros mensais. E há, por exemplo, artesãos que só trabalham a troco de tarefas ou de produtos, ou seja, não há dinheiro envolvido nas transações, informa Pedro Reis. Além desta contribuição, os negócios instalados no Espaço Ó pagam também uma percentagem das suas vendas, de forma a colmatar as despesas e a ser possível continuar a investir nestas instalações.

A incubadora de empreendedores já gerou negócios que correm agora com vida própria e total independência do Colab, como é o caso dos bolos Capinha de Óbidos, que fizeram renascer uma receita com 130 anos, ou do Gelado da Terra, cujo negócio, sobretudo ao nível do marketing, beneficiou muito da experiência e ajuda colaborativa dos membros do Colab.

Um dos negócios mais recentes está a ser desenvolvido na casa do forno. O cheiro a pão fresco, feito com a ajuda e perícia de D. Regina, é o cartão-de-visita do JamonJamon, uma casa de tapas que nasceu da vontade de um jovem casal, o português André, 25 anos, e a espanhola Sol, 26 anos. Não têm mãos a medir, mas o trabalho não os assusta. Sol adora meter as mãos na massa e a D. Regina assevera que falta pouco para deixar a aprendiz por conta própria. André estu dou Gestão Hoteleira e Sol fez Marketing e Publicidade. Conheceram-se em Leiria, por causa do programa de intercâmbio de estudantes Erasmus, que trouxe a espanhola até Portugal. Estavam sem dinheiro e a perder a esperança quando surgiu a oportunidade de se instalarem no Espaço Ó e lançarem o negócio próprio com que sonhavam. "Está a correr bem", diz Sol, apesar das muitas horas diárias de trabalho contínuo.

Já Helena Paulo, 52 anos, ganhou não só um novo negócio como outra esperança. A florista explorava uma residencial, junto à loja de flores, e o negócio do alojamento estava a decair. Com dois filhos, sentia-se sem saídas. O Colab ajudou-a a transformar o negócio num renovado hostel, onde, com um investimento muito reduzido, deu a volta aos quartos, que ganharam beliches e cores claras. 

Até o filho mais novo, que não se interessava pelo negócio, está lá a ajudá-la no Hostel Casa do Arco. Revê-se no conceito e no tipo de clientes, sobretudo estrangeiros e jovens como ele, comenta a mãe. O anúncio e recomendações no TripAdvisor já lhe trouxe hóspedes de diferentes geografias, como Alemanha, Inglaterra e até Japão.
Tiago Miranda
Reuniões semanais
 
André, Sol e Helena são três dos membros que participam nas reuniões semanais do Colab. O ambiente informal domina estes momentos de partilha. O objetivo é não só tomar o pulso aos projetos que estão em desenvolvimento como lançar novas ideias. E arranjar soluções, entre todos, para melhorar cada um dos negócios. Há vários grupos que se juntam para diferentes projetos, com elementos que se desdobram para dar resposta a várias solicitações. Os membros do Colab não recebem salário, esclarece Pedro Reis: "Pretendemos que nunca o haja, em vez disso pagamos em tarefas (horas despendidas), de forma a manter o espírito de participação e uma estrutura mais simples." Porém, Pedro admite que isso possa ter de mudar. "Durante a fase inicial, no primeiro ano, utilizei o Colab para participar em projetos com os quais lucrava e pagava as contas. Com o crescimento do Colab, já não tenho tempo para trabalhar em projetos extra, que me permitam retirar rendimento, e por essa razão estamos numa fase de desenvolvimento, para conseguir trabalhar a tempo inteiro para o Colab e ser pago por essas tarefas", adianta. Pedro é casado com a finlandesa Riikka (que também tem projetos no Colab) e têm quatro filhos pequenos, cuja educação é assegurada pelos pais (em home schooling, ou escola em casa, que é permitido em Portugal) e que os acompanham nas tarefas diárias no Colab.

Inês Fouto, 35 anos, é outra das empreendedoras que faz parte da equipa do Colab. Licenciada em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, fez também Engenharia do Ambiente na Universidade Nova. Desenvolveu um kit portátil de teatro que permite encenar uma peça em qualquer lado. A Mala de Cenas, como o nome indica, consiste numa mala com vários acessórios, como fantoches, livros ou figuras de sombra.

No Colab conseguiu recursos financeiros e teve a ajuda de vários artistas para desenvolver o produto, desde a pintura à cerâmica, aos figurinos, escrita do guião de teatro para fantoches, design gráfico e marca do produto. "Sem estes recursos levaria muito mais tempo para conceber a Mala de Cenas e teria de ter dinheiro para o fazer", refere Inês, acrescentando que "esta promoção do encontro entre pessoas é muito importante, pois, por vezes, sozinhos torna-se mais difícil desenvolver projetos, quer em termos de motivação, quer em termos práticos de financiamento e de sustentabilidade". A Mala de Cenas está à venda na loja do Espaço Ó e a atriz e empreendedora também apostou na venda online de todos os produtos da Cenas Teatro e Companhia.

O artesão Marco Machado, 44 anos, é outro empreendedor que foi ajudado pelo Colab. Fez formação profissional de corte manual e industrial de calçado e herdou do pai e avô o gosto pela arte de sapateiro. Ficou desempregado em 2013 e decidiu fazer sapatos artesanais e ecológicos. Em Óbidos aconselham-no a mudar o nome do projeto o que não foi "muito pacífico", recorda, de 'estreMMenhas' (ligação à Estremadura, já que Marco é natural das Caldas da Rainha, e às iniciais do seu nome) para Foot Zero. Depressa reconheceu que a mudança fazia todo o sentido, porque o novo nome fazia "uma ponte interessante com pegada zero ou ecológica". Seguiu-se a criação de uma página no Facebook como montra dos produtos e da marca. "A importância do Colab na Foot Zero foi mesmo a divulgação, que passou a ser feita não por uma pessoa só, mas por várias, incluindo a autarquia local, fazendo chegar a informação a outros mercados que ainda não tinham sido alcançados", resume o artesão. Ainda não conseguiu criar o seu posto de trabalho com o negócio, que ainda é um projeto em part-time.

Agora há outras iniciativas que pretendem replicar o modelo do Colab e que estão ligadas a este projeto deÓbidos. Situam-se em Lisboa, Marvão, Penela, Lagos e também na Finlândia. Estes grupos estão ligados através de plataforma online, que serve para "partilhar o processo de desenvolvimento dos projetos e ter pessoas de cada grupo a participar ativamente em vários projetos. Alguns projetos têm membros de vários grupos como coautores, mas a maioria usufrui da participação informal [dos vários elementos desta rede]", refere Pedro Reis.